Um Corpo que pressente

No outono calmo,
há poesia —
mesmo que seja
para ouvir a agonia.

Prestes para dormir,
a Suindara
bateu asa na janela.

Não vou mais dormir.

Treme o corpo,
bate forte
o coração.

“Você vai ter dor de parto.
Se prepare.
Tudo vai vir.”

Suindara que encanta
e que vem com espanto.

“Você vai ter dor de parto.
Se prepare.
Tudo vai vir.”

O corpo em calafrios
até se derreter
no dormir.



Mas não sei a língua dos animais.
A língua dos homens não entende
a língua do corpo,
do calafrio,
do tremor
que não tem base,
que não tem fim.

Assim como um carteiro,
a Suindara foi embora.
As vigílias da noite passaram.

Levantei-me da cama.
Fui trabalhar.

De repente,
a pancada no meio da testa.

Onde estava esse ferro velho
pendurado
para fora da pick-up?

E o corpo já sabia.



Brasília (DF), 11 de maio de 2026
Texto de Flavio di Fiorentina

Epígrafe:
“O corpo fala antes.”

Tempo de leitura: 2 MIN

Um Corpo que Pressente

— Poema sobre intuição, presságios e linguagem do corpo

Categoria: Poesia Existencial Palavras-chave: pressentimento, corpo, medo, linguagem simbólica.

Neste poema, Um corpo que pressente, texto de Flavio di Fiorentina, o corpo é apresentado como um território que percebe antes da consciência.

Entre o silêncio do outono, o aviso de uma Suindara e a inquietação que atravessa a madrugada, o eu lírico experimenta um pressentimento que se manifesta em tremores, calafrios e sinais que a razão não traduz. Só mais tarde, diante de um acidente inesperado, o enigma se revela: o corpo já sabia.

É um texto sobre intuição, vulnerabilidade e a linguagem profunda que habita a carne antes da palavra.

A seguir, o poema completo “O Arquivo do bem viver”.

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Quem é Flavio di Fiorentina

Flávio di Fiorentina é poeta e escritor baiano radicado em Brasília, autor do livro Amor nos tempos de lua minguante. Suas obras transitam pelas esquinas do eu, pela memória e pelo realismo fantástico.

Tags: Poesia Existencial Palavras-chave: pressentimento, corpo, medo, linguagem simbólica.

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