As luas que me habitam

Epígrafe:
“Cada lua tem um jeito de puxar o ser.”


Se a parede for o treino da raiva,
se a porta fechada à força for a resposta,
se você não se entende,
se você chora criando uma terra úmida no pano,

é porque dentro de você há muitas luas.

Luas de cores diferentes:
luas verdes,
luas vermelhas,
luas amarelas,
luas pretas.

Luas sem nome
e sem cor.

Uma paleta de cores
para pintar o eu
e os seus dias.

Tudo porque o eu de cada pessoa
é cercado de muitas luas,

cada uma puxando o ser
para um lado diferente.

Há luas que crescem,
luas que minguam,
luas que se escondem
por medo de aparecer.

E há a lua torta —
aquela que surge sem aviso
e vira tudo de lugar.

Mas vem o sol de fora,
que aquece o corpo,
que aquece as luas.

Se a temperatura for suficiente,
a lua desperta
para o bem,
a lua desperta
para o mal.

E a vida continua, companheiro.
Não importam as luas,
não importa o sol.

Diante das muitas luas,
o eu precisa entender
o comportamento das luas,
para não ser escravo
de um ditador que só ele sente e vê.

Brasília (DF), 27 de março de 2026.
Texto de Flavio di Fiorentina

Tempo de leitura: 2 min

Você já se imaginou cheio de luas no seu interior?

Veja só: As Luas que Me Habitam é um poema que explora a multiplicidade emocional que vive dentro de cada pessoa. A epígrafe — “Cada lua tem um jeito de puxar o ser” — estabelece o tom simbólico da obra, sugerindo que o comportamento humano é influenciado por forças internas tão variadas quanto as fases da lua.

O poema apresenta as “muitas luas” como metáforas para estados emocionais: luas verdes, vermelhas, amarelas, pretas, e até luas sem nome. Cada uma puxa o eu para um lado diferente, criando tensões, impulsos, medos e despertares. Há também a “lua torta”, aquela que surge sem aviso e desorganiza tudo — símbolo perfeito para emoções inesperadas.

O texto dialoga com temas como:

  • ciclos emocionais

  • identidade e subjetividade

  • impulsos internos

  • metáforas lunares

  • psicologia poética

  • autoconhecimento

É um poema que convida o leitor a reconhecer suas próprias luas internas, compreendê-las e evitar ser escravo de emoções que só ele sente e vê.

As Luas que me habitam

A seguir, o poema completo “O Arquivo do bem viver”.

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Quem é Flavio di Fiorentina

Flávio di Fiorentina é poeta e escritor baiano radicado em Brasília, autor do livro Amor nos tempos de lua minguante. Suas obras transitam pelas esquinas do eu, pela memória e pelo realismo fantástico.

Tags:


poesia contemporânea, luas internas, eu lírico, dualidade, sol e sombra, literatura brasileira.

Palavras-chave relacionadas:

poema sobre emoções, ciclos internos, metáforas lunares, identidade emocional, subjetividade, lua torta, Flavio di Fiorentina, poesia contemporânea brasileira

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